O RETORNO DA PESSOA
a noção de pessoa segundo o personalismo ontológico moderno de Karol Wojtyla, frente à crítica de Paul Ricoeur ao personalismo.
Palavras-chave:
Pessoa, Paul Ricoeur, Karol Wojtyl, PersonalismoResumo
A filosofia personalista conheceu ao longo de seu desenvolvimento uma série de autores, fontes de inspiração, correntes, fases e críticas, acontecimentos que corroboram para a sua consolidação e reestruturação. Dentre as críticas levantadas, temos a de Paul Ricoeur, que afirma a incapacidade do movimento empreendido por Emmanuel Mounier de alcançar seus objetivos, declarando sua morte e o necessário retorno da pessoa, que só seria possível segundo um estatuto epistemológico sólido a partir do conceito central do personalismo – a noção de pessoa. Entretanto, passados alguns anos da morte de Mounier, o personalismo recebeu algumas contribuições de outros autores, dentre os quais se destaca Karol Wojtyla, que buscou confluir a filosofia do ser com a filosofia da consciência de modo a consolidar uma nova antropologia. Partindo dessas inquietações, o presente trabalho se propõe a apresentar como o personalismo ontológico moderno de Karol Wojtyla, centrado no conceito de pessoa, se coloca frente à noção de pessoa e as críticas levantadas por Paul Ricoeur ao personalismo? Para atingir esse objetivo, começaremos por identificar a noção de pessoa adotada por Paul Ricoeur, bem como a crítica que desenvolve ao personalismo, recorrendo principalmente às obras como, Note sur la personne (1936), Une Philosophie Personnalist (1950) e Morre o personalismo, volta a pessoa (1983). De modo que em, seguida se compreenda a antropologia personalista desenvolvida pelo personalismo ontológico moderno de Karol Wojtyla, na obra Pessoa e Ação (1969), o que permitirá analisar como o personalismo ontológico moderno de Wojtyla se posiciona frente a crítica de Paul Ricoeur. Por fim, espera-se que a presente pesquisa seguindo estes passos, e adotando ainda como referencial teórico as obras El personalismo ontológico moderno I (2015) e Introdução ao personalismo (2028) de João Manuel Burgos, levando a apresentação da antropologia personalista de Wojtyla segundo uma noção de pessoa e um estatuto epistemológico mais robusto, que incorpora elementos da crítica de Ricoeur e contribui para a consolidação da noção de pessoa humana, e da própria filosofia personalista.